domingo, 12 de julho de 2009

Só um pouquinho de lirismo, ou seja, lá vem C.F.A mais uma vez...


Para prevenir surpresas, tenho deixado sempre abertas todas as janelas e todas as portas.”

“Que algo sempre nos falta — o que chamamos de Deus, o que chamamos de amor, saúde, dinheiro, esperança ou paz. Sentir sede faz parte. E atormenta.”


Sinto dor: estou viva.

"Que se possa sonhar, isso é o que conta."


"Deixa o vento soprar, let it be..."

”Você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off”

sábado, 11 de julho de 2009

Quer conhecer Luanda?


Comece por um ótimo livro - “Filhos da Pátria: contos” by João Melo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009


"A vida tem caminhos estranhos, tortuosos às vezes difíceis: um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo। Sim, existir é incompreensível e excitante। As vezes que tentei morrer foi por não poder suportar a maravilha de estar vivo e de ter escolhido ser eu mesmo e fazer aquilio que eu gosto - mesmo que muitos não compreendam ou não aceitem।"
(Caio Fernando Abreu)

Texto antigo: Inverno de 2008 – “Uma pedra, dentro da noite veloz”

A minha idéia inicial era escrever algo sobre o Enem, já que a publicação deste texto irá acontecer poucos dias após a realização do Exame Nacional do Ensino Médio. Prova que tem por ambição equiparar por meio de uma única avaliação o ensino médio aplicado nas cinco regiões do país. Acontece porém, que algumas idéias são simplesmente atropeladas por urgências maiores. Assim, outro dia voltando para casa tarde da noite sem que ninguém pudesse esperar uma pedra partiu o vidro do ônibus em que eu estava. E por mero e inexplicável acaso não feriu ninguém. Ao empregarmos conceitos da física, matéria que compõe o currículo do ensino médio e é cobrada no Enem, com a velocidade final que a pedra alcançou, ela poderia ter causado bem mais do que um simples susto em mim e nos outros passageiros. Para falar a verdade àquela pedra me atingiu bem fundo, desestabilizando julgamentos formados e idéias em construção, por fim, bagunçando tudo. Em situações como está, a pergunta é sempre a mesma: “Por que?” Definitivamente, não acredito que tenha sido apenas uma simples e inofensiva brincadeira, mas sim a resultante de uma somatória que começou há muito tempo. Pode parecer lugar comum, entretanto, ainda acredito que a violência deriva, pelo menos na maioria das vezes, da sociedade estratificada qual vivemos hoje. A vergonhosa distribuição de renda, a falta de direitos primários ao homem, como: moradia, alimentação, educação, saneamento-básico e saúde. Tudo isso fomentado pela inexistência de possibilidades de mudança. O jovem que prestou Enem no último dia 31 de Agosto, quase sempre, vê no Prouni a tão sonhada tábua de salvação. A chance, não de estudar, pesquisar e crescer intelectualmente, mas de ter um diploma que vai tarimbá-lo para o mercado de trabalho. A realidade educacional é no mínimo díspar em cidades como São Paulo e Manaus, porém mesmo assim, seus estudantes são avaliados com a mesma prova. Não precisar ser um sociólogo para saber que os métodos de ensino do Colégio Bandeirantes é muito distinto do de uma escola ribeirinha a beira do rio Amazonas. Não quero deste modo dizer se o programa é bom ou ruim, mas apenas lembrar que ele é uma medida paliativa para estancar uma ferida antiga, ainda aberta. E como tal, deveria ser utilizado por tempo determinado. Melhorar a educação de base, criar novas vagas no ensino superior publico, sem sucatear ainda mais a universidade. Estas sim, deveriam ser as preocupações do Estado.

"O essencial é invisível aos olhos."


Andando, o principezinho encontrou um jardim cheio de rosas. Contemplou-as...eram todas iguais à sua flor.E deitado na relva, ele chorou...E foi então que apareceu a raposa.- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.- Que quer dizer "cativar" ?- É uma coisa muito esquecida. Significa criar laços...Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. Eu não tenho necessidade de ti e tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, teremos necessidade um do outro. Serás para mim, único no mundo. E eu serei para ti, única no mundo. Minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. O teu passo me chamará para fora da toca, como se fosse música. A gente só conhece bem as coisas que cativou.- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.- É preciso ser paciente. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal- entendidos. Cada dia te sentarás mais perto...Se tu vens por exemplo, às quatro da tarde, desde às três, eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:- Ah! Eu vou chorar...a gente corre o risco de chorar um pouco, quando se deixou cativar. E acrescentou:- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua, é a única no mundo. É simples, o segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos. Foi o tempo que perdeste com tua rosa, que fez tua rosa tão importante. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar..." Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim...e nunca encontram o que procuram...E no entanto, o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d'água...Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração..."(Antoine De Saint- Exupéry)

Texto antigo: Primavera de 2008 - Caio F, ou me escuta Zezim...


Hoje, acordei abrindo as janelas e dando bom dia ao mundo. Talvez seja essa apenas uma maneira de disfarçar o desespero e o caos interior, ou quem sabe, um modo de salvação. Bebi café, companheiro de momentos indizíveis e comi morangos, não mofados, mas vermelho sangue, bolo de chocolate e medos particulares.Ouvi Led Zeppelin e Janes Joplin, como não fazia há muito tempo. Me sinto uma criatura de três mil anos em um corpo de trinta. Carrego comigo todas as culpas do mundo e uma piedade infinita pela raça qual apesar de tudo ainda pertenço. Você, desejo pífio, está vagando pelo mesmo mundo que eu agora, mas por mais que tente não consigo mais avista-lo. Quando foi que o tudo se transformou em tão pouco? Onde estávamos para permitir o definitivamente banal? Que merda está acontecendo agora? Perdemos a direção dos olhares que nos iluminavam e ao mesmo tempo nos devorava. No entanto, fazia parte de um elo que éramos nos dois. Mesmo sem palavras, trocas ou juras. Existia nos dois. Perdidos entre cães raivosos e respeitáveis contribuintes da hipocrisia universal. Resistíamos nos dois, com nossa pequena grande história ainda não vivida, mas largamente ensaiada. E por fim mal resolvida, em meio de senhoras amantíssimas e senhores aparentemente corretos por demais. Em um covil de lobos mal comidos, com corpos enferrujados e corações embalsamados. Fomos proibidos de amar, pois nada ofende mais a esta gente do que o brilho do desejo qual eles não podem conter. A gana de trepar, de foder, de gritar, de gozar, de viver. A lucidez plena, a libertação total. Mas seu medo foi maior do que tudo o que um dia me contou com o olhar. Então, fico tentando juntar peças de um quebra cabeças que é só meu.Procuro poesia em meio à lama e aos excrementos que recebo todos os dias vindos da normalidade condicionada. Olho para estas pessoas e não consigo gritar, sinto pena e esta é minha maldição. Ainda me choco e me revolto e ao perceber isto estou mais forte, pois eles não conseguem destruir minha alma. Ainda há luz para nos salvar criança. Assim, não me arrependo de mais nada e não julgo a ti, pois só assim poderei partir sem temores afinal. Segura a minha mão e não olha para trás. Se todos vão virar sal, apaga da sua mente os pecados que não são mais nossos e escape por nos.

Texto antigo: Primavera de 2008 - “Três tristes tigres”


De alguma maneira eu a amo. Digo de alguma maneira, pois não a quero para mim, ou ao menos a desejo. Querer eu quero irremediavelmente ao homem de timbre suave e falar pausado. Qual sempre parece estar a contar histórias para crianças. Sempre não, quase sempre eu devia dizer. Já que ele não parece contar histórias para crianças quando me olha com o olhar do desejo.Já ela, com os olhos tão tristes. É a fragilidade em pessoa. Disseram-me que um câncer a tornou mais humana. Eu penso que não. Toda aquela fragilidade é inumana por demais. Quando a vejo tão magra, com os grandes olhos magoados e a pele areiada dos árabes. Imagino sua historia de mulher.Quanto a ele, também o desejo. Como uma ninfa a um gigante descomunal. E isso me apavora. No meio do silêncio que nos une e igualmente nos separa também quase que o amo, porém o abnego, pois este homem que às vezes aparece com o ar cansado, esconde um mundo. E ousou penetrar na minha absoluta solidão. Que agora não é mais minha, tão pouco é absoluta.Hoje pela manhã ela sorriu. E no falar cantado e lírico de seu sotaque indecifrável, falou de Camões. E sorriu mais. Inúmeras, incontáveis vezes, com uma alegria reconfortante. Ele, que eu não sei por onde anda ou o que fez do dia de hoje. Vai fixando-se em nós entre a tarde que se vai e a noite prestes a cair. Mais aflitamente sua imagem se faz presente dentro do escuro do que falta. E assim, perpetua-se minha espera solene, pois ele ainda falta.Ela despediu-se com um meio sorriso, como a gota derradeira depois do dilúvio. A figura serena, aureolada por uma alegria doce, suavemente me deixou. O homem que eu espero se escondeu da minha vista e foi-se, com o orgulho quase infantil quebrado e uma atitude de quem não entende o que não é obvio.Sei que irei vê-la novamente daqui a sete dias, não espero ou anseio este momento já marcado. Que só o improvável pode desarmonizar. Quanto a ele, talvez seja quatro dias ou nunca mais. O que me parece destruidor e insustentável. Eu que me fui encontrada por sua imagem em frente ao meu olhar. Hoje me sinto covarde e perdida. Sou tão frágil quanto à mulher dos grandes olhos magoados. Estou completamente desarmada e desamparada, por vezes desesperada. Sofrerei, sofro, sofri, só não tenho o jeito certo de sofrer.